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Inovação na construção civil 2021: 12 tendências para o setor

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Veja o que é inovação na construção civil, sua relação com sustentabilidade, as projeções e 12 tendências que devem estar cada vez mais presentes no mercado.

A construção civil é um dos setores mais importantes para a economia brasileira, mas, historicamente, está entre os que menos investem em inovação. Apesar disso, já há um grande movimento para mudar essa realidade e incorporar inovação na construção civil. 

Afinal, o investimento em novas tecnologias já deixou de ser um diferencial para se tornar fator preponderante para a sobrevivência das empresas, que passam a atuar com mais eficiência e fornecer mais valor para o mercado e para os clientes.

A adoção de novas ferramentas digitais e processos passa, principalmente, pela chegada de startups especializadas nesse mercado, as construtechs

Porém, para alcançar a verdadeira transformação digital, é preciso também uma mudança de mindset, com profissionais e empresas alinhando suas práticas para os conceitos mais atuais do século XXI.

Neste post, veja o que é inovação na construção civil, qual é sua relação com a sustentabilidade, as projeções para o futuro do setor e 12 tendências que devem estar cada vez mais presentes no mercado. 

Acompanhe!

O que é inovação na construção civil?

Quando falamos de inovação, nos referimos ao processo de aprimoramento constante e também de uma gestão adequada que possibilite o cumprimento dos objetivos de uma organização. 

Em outras palavras, inovar tem a ver com entender um problema e criar soluções para resolvê-lo.

No entanto, é preciso tratar a inovação na construção civil não apenas como novas tecnologias e máquinas capazes de auxiliar no dia a dia. 

Muito pelo contrário: a inovação também pode se dar nos níveis gerencial, organizacional, de produto, entre outros. O importante é que haja uma solução voltada para a superação de desafios comuns ao setor.

Nesse sentido, a inovação pode atuar tanto em um cenário micro – na gestão de obra, na função dos trabalhadores etc. – quanto em um cenário macro – política, economia, meio ambiente etc. 

É a partir da identificação das exigências e necessidade do setor em que a empresa atua que se buscam as alternativas mais viáveis.

Assim, a inovação na construção civil – e em qualquer outro setor, na verdade – tem papel preponderante para o desenvolvimento econômico do segmento, uma vez que se torna um fator importante de vantagem competitiva.

Inovações na construção civil garantem sustentabilidade e eficiência

inovacao na construcao civil

Estima-se que o método construtivo utilizado atualmente consome cerca de 40% de toda a energia produzida, extrai 30% dos recursos naturais, consome 25% da água e contribui com aproximadamente 30% da emissão de gases do efeito estufa no mundo.

Isso faz com que o setor da construção civil seja o que mais consome recursos naturais e utiliza energia em todo o mundo. Os dados são do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma ou Unep, em inglês).

Isso mostra que a inovação na construção civil é essencial para que o setor aja e pense de forma diferente no mercado. 

É inovando que as empresas conseguirão aproveitar melhor as tecnologias e explorar de forma mais eficiente materiais e recursos naturais, de maneira a reduzir o consumo de energia e diminuir os impactos no meio ambiente. 

E isso passa por uma reavaliação do ciclo de vida dos materiais e dos seus efeitos em toda a cadeia.

Um exemplo é o concreto. A indústria cimenteira é considerada uma das mais poluentes do setor, sendo responsável por, aproximadamente, 5% das emissões mundiais de CO2, que ocorrem, sobretudo, durante sua fabricação.

Mas, não se trata apenas de materiais e recursos. As etapas de projeto e planejamento também podem contribuir para aumentar a sustentabilidade nas práticas do setor. 

Isso porque, ainda hoje, é possível notar que o uso de equipamentos e máquinas mais eficientes e a adoção de tecnologias e processos construtivos que proporcionem uma redução no consumo de energia ainda não são o foco de muitas empresas.

Ainda não se estabeleceu como rotina a elaboração de projetos focados em eficiência energética. 

Embora, atitudes simples – como o aproveitamento da iluminação natural ou o uso dos ventos para garantir maior conforto térmico – venham ganhando mais ênfase, ainda há muito espaço para a inovação no setor.

Por meio de recursos tecnológicos, fica mais fácil desenvolver novos produtos e serviços que possam colaborar para economizar recursos naturais e, como consequência, otimizar processos e maximizar a preservação ambiental.

Qual é o futuro da construção civil no Brasil?

o futuro da construção civil

Tradicionalmente, o setor da construção civil é muito afetado pelas instabilidades econômicas e políticas do Brasil, conjunturas que afastam investidores e atrasam investimentos.

Para se ter uma ideia, o segmento chegou a registrar cinco anos seguidos de retração, movimento interrompido em 2019, mas que deve voltar a se repetir em 2020.

No Brasil, as recentes crises e escândalos de corrupção alteraram o panorama da construção civil. Parte do espaço deixado pelas grandes empresas foi preenchido por médias e pequenas construtoras, que passaram a assumir um papel mais relevante para o setor.

Nesse contexto, há dois desafios fundamentais para a construção civil no país nos próximos anos. 

O primeiro deles diz respeito à perda de competitividade do setor e da capacidade de execução de obras após redução no faturamento, especialmente no período entre 2014 e 2018.

O segundo desafio se refere à baixa produtividade no segmento. Nesse quesito, o País apresenta um dos piores índices do mundo.

‘O novo ciclo de investimentos em infraestrutura e o setor de construção civil – Agenda para o futuro’, do BNDES, diz que isso se deve à “falta de laboratórios para testar máquinas e equipamentos” e a “barreiras impostas a empresas internacionais que poderiam trazer inovações e novas tecnologias”.

De fato, embora seja responsável por 9,9% do PIB do País e por 10 milhões de empregos, a construção civil ainda tem pouca inovação tecnológica. 

Um estudo intitulado ‘Transformação Digital: O Futuro da Construção Conectada’ mostra que o Brasil é o país com o menor nível de maturidade e o mais atrasado no que diz respeito à adoção de tecnologias no setor.

Mergulhado nesse contexto, o futuro da construção civil no Brasil está, em parte, em seguir passos de nações mais avançadas em relação a esses desafios. 

Isso passa, invariavelmente, pela digitalização dos processos, como o investimento em softwares baseados em BIM, solução que reúne informações detalhadas sobre uma edificação, gerando uma visualização em 3D de todo o projeto.

O papel das construtechs para a inovação na construção civil

No caminho rumo à modernização e inovação na construção civil, as construtechs começam a revolucionar o setor no Brasil. 

Segundo dados da aceleradora Terracotta Ventures, já são mais de 700 startups atuando no segmento, envolvidas em processos que vão desde a venda e aluguel de imóveis à execução de obras e financiamentos.

Com atuação em um dos setores menos digitalizados da economia, as construtechs buscam trazer inovação não apenas para os serviços e na forma de novas tecnologias para as empresa. 

Elas também trouxeram ferramentas que atacam as principais dores das empresas do segmento, como:

  • Aumento da produtividade;
  • Aumento na segurança do trabalhador;
  • Contratação de mão de obra;
  • Gerenciamento de resíduos;
  • Redução de acidentes decorrentes de falhas nos sistemas;
  • Redução de custos operacionais.

Para isso, as construtechs oferecem ao mercado uma série de soluções, entre elas:

  • Aplicativos para redução de desperdícios;
  • Plataformas para cotação de preços de materiais;
  • Softwares de gestão de obras;
  • Soluções de energias renováveis.

Novidades na construção civil: 12 tendências para os próximos anos

tendencias da inovacao na construcao civil

O movimento do setor da construção civil em busca de mais eficiência e produtividade se baseia, em grande parte, pela transformação digital dos processos em toda a cadeia. 

Algumas das novidades e tendências para o futuro são:

1. Cidades inteligentes

Cidades inteligentes são projetos que abrangem construções sustentáveis e soluções para otimizar o uso de recursos naturais e energia. 

Estas cidades, além de melhorias no transporte e em outros aspectos, também contam com soluções que impactam diretamente na qualidade de vida das pessoas.

A conectividade é outro ponto característico das cidades inteligentes, que fazem uso de informações interconectadas para uma melhor compreensão das suas operações e dos seus recursos. 

Um exemplo são as construções inteligentes que, por meio de sensores, geram informações que podem servir como base para novas edificações ainda mais eficientes.

2. Impressão 3D

A impressão 3D já vem revolucionando diversos setores, inclusive a Medicina. 

Quando falamos de inovação na construção civil, as impressoras podem ser aplicadas para a criação de construções modulares, permitindo, por exemplo, que os componentes sejam pré-fabricados antes da instalação (inclusive podem ser feitos no próprio canteiro de obras).

Isso traz uma série de benefícios, como redução de custos com logística, diminuição da emissão de gases na atmosfera, eliminação do desperdício de materiais, aumento da segurança para o trabalhador e redução drástica no tempo de construção.

O feito mais impressionante até agora foi alcançado pela empresa chinesa Winsun. Com auxílio de uma impressora 3D em forma de guindaste, a empresa foi capaz de erguer 10 casas de 200m2 em apenas 24 horas

Segundo a construtora, o custo da operação foi de aproximadamente metade do que se gastaria normalmente.

3. Realidade virtual

Tecnologia que vem ganhando espaço nas construtechs, a realidade virtual pode auxiliar o profissional na compreensão do design do projeto final. Tudo por meio de projeções 3D e óculos especiais.

Dessa forma, seria possível identificar erros ou reparos a serem feitos, estimar manutenções e realizar treinamentos em situações de risco.

Outra aplicação é voltada para os clientes das construtoras, que poderiam experimentar o ambiente em que viveriam, fornecendo uma experiência muito mais imersiva e realista.

4. Inteligência Artificial

O uso da Inteligência Artificial na construção civil é muito vasto. Existem empresas que utilizam a IA, por exemplo, para aumentar sua capacidade de predição de eventos, para auxiliar na gestão de crédito para o mercado imobiliário ou ainda para otimizar as estratégias de relacionamento e atendimento ao cliente.

Em um cenário mais avançado, já existem projetos em andamento para o desenvolvimento de robôs autônomos que possuem as mesmas habilidades de um operário da construção. 

Além de evitar expor pessoas a situações de risco, o uso de robôs permite executar tarefas com precisão milimétrica.

5. Bioconcreto

O bioconcreto é um material “inteligente” que possui capacidade de regeneração, fechando suas próprias rachaduras. 

O segredo está na adição de uma bactéria chamada Bacillus pseudofirmus à mistura do concreto.

O microorganismo só se ativa na presença de água e oxigênio. Assim, quando ocorre alguma fissura no concreto, as bactérias iniciam reações químicas que resultam na formação de calcário. Como consequência, as rachaduras se fecham.

6. Construções verdes

Além de fazerem parte do escopo das cidades inteligentes, as construções verdes (ou sustentáveis) são uma alternativa para reduzir custos operacionais e preservar os recursos ambientais. 

 Também são conhecidas por possuírem um tempo mais baixo para retorno do investimento e tendem a se valorizar com o passar do tempo.

7. Building Information Model (BIM)

A sigla BIM significa Modelagem da Informação da Construção. É uma tecnologia aplicada a softwares de gestão de projetos de construção. 

A forma mais conhecida do BIM é a modelagem 3D, onde é feita a virtualização do empreendimento, de forma idêntica a que se deseja construir e com todas as suas estruturas: projeto hidráulico, elétrico, plantas, entre outros detalhes.

Atualmente, o BIM já conta com outros usos como o 4D (análise de compatibilização e planejamento), o 5D (análise de custos), o 6D (avaliação da sustentabilidade) e 7D (gestão de instalações).

O BIM não é válido somente para os profissionais que atuam diretamente na projeção de construções, mas também auxilia investidores, fornecedores e acionistas a gerenciar uma construção e sua infraestrutura de maneira mais precisa e eficiente.

Outra vantagem é que todos os dados e relatórios gerados pelo sistema ficam concentrados em um servidor e armazenados em nuvem, facilitando o acesso de todos.

8. Drones

Drones vem ganhando espaço em muito segmentos, e na construção civil não é diferente. 

Entre alguns exemplos de sua aplicação estão a avaliação termográfica de revestimentos, permitindo identificar sinais de desgaste; o mapeamento 3D de edificações; e até mesmo a gestão do canteiro de obras.

Um dos grandes benefícios no uso de drones está na velocidade e na segurança que ele proporciona, evitando, por exemplo, que um trabalhador tenha que ser enviado para estruturas altas, como telhados ou andaimes.

9. Internet das Coisas

A Internet das Coisas (do inglês, Internet of Things ou IOT) é uma das inovações que mais tem transformado o setor da construção civil. 

Como o próprio nome sugere, trata-se da conectividade ao seu nível máximo, em que todos os equipamentos de uma construção estão conectados à rede, gerando informações constantemente.

Assim, serviços de manutenção podem ser otimizados por meio de sensores em diferentes locais. 

Elevadores e aparelhos de ar condicionado podem economizar energia e fornecer dados sobre seus status de funcionamento. 

Sensores instalados no sistema hidráulico permitem controlar o consumo ou alertar sobre vazamentos. E há ainda uma série de outras funcionalidades.

10. Sensores vestíveis

Os dispositivos vestíveis (ou wearables) vem sendo utilizados por algumas empresas como forma de dar mais segurança ao canteiro de obras. 

Sensores inteligentes presos às roupas ou aos capacetes dos trabalhadores avisam se houve algum impacto.

Outro exemplo são relógios inteligentes que medem a temperatura corporal e alguns sinais vitais, evitando a exaustão. 

A tecnologia ainda permite controlar o número de pessoas em uma determinada área, preservando a segurança de todos.

11. Contrapiso autonivelante

O contrapiso autonivelante é composto por um material com fluidez mais elevada do que as argamassas convencionais.

Com isso, não há mais a necessidade de realizar o desempenamento, criando um contrapiso mais fino, reduzindo o tempo de entrega da obra e seus custos.

12. Tijolos ecológicos

Os tijolos ecológicos seguem a tendência de utilizar resíduos ou dejetos que, de outra forma, seriam rejeitados, provavelmente causando danos para o meio ambiente. 

Resíduos siderúrgicos, pneus usados, rejeitos de cimento são algumas das formas de reaproveitar materiais para a fabricação de tijolos ecológicos.

Mas não é só isso: compostos orgânicos também podem ser utilizados. É o caso das conchas provindas da maricultura e dos tijolos feitos de caroço do açaí, projeto criado por uma estudante brasileira e que já recebeu mais de 15 premiações.

Por essas características, os tijolos ecológicos não apenas contribuem para tornar as construções mais sustentáveis e para reduzir os impactos de determinadas atividades no meio ambiente, mas também funcionam como forma de incentivo à economia local.

Conclusão

inocacao na construcao civil 2020

Fundamental para a economia global, o setor da construção civil também causa um grande impacto para o Planeta. A saída para tornar-se mais eficiente e, consequentemente, sustentável, é inovar.

Nesse sentido, a inovação na construção civil passa não apenas pela revisão de processos, do projeto à execução, para garantir mais eficiência e redução de custos.

As atividades desse segmento devem buscar por práticas que visem otimizar o uso de materiais e recursos naturais. 

Novas tecnologias e novos modelos de negócio para o setor, representado pelas construtechs, são um passo importante para que isso aconteça, e têm colaborado para atualizar o segmento em relação às melhores práticas e às demandas do mercado e da sociedade.

Para ficar por dentro de mais assuntos sobre inovação e tecnologias disruptivas, continue acompanhando o blog da Neoway!