Governo 4.0: o que é e quais são os desafios

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A Neoway é a maior empresa da América Latina de Big Data Analytics e Inteligência Artificial para negócios. Fundada em 2002, em Florianópolis, lançou a sua plataforma SaaS em 2012, e, hoje, está presente em todo o Brasil.

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No Brasil e também em outros países, existe a percepção de que o Estado tende a ser pouco eficiente e atrasado. O governo 4.0 chega para transformar completamente essa noção.

A proposta é simples: aplicar os conceitos da revolução tecnológica 4.0, vista em tantos setores econômicos, para melhorar a gestão pública a fim de aprimorar serviços, cortar custos desnecessários e, até mesmo, fortalecer a democracia.

Apesar de saltos recentes, a ideia de um setor público totalmente digital, alinhado com a proposta de governo 4.0, ainda parece distante do Brasil, especialmente se comparados aos principais expoentes no tema, como Dinamarca e Estônia.

Como defendeu Paulo Uebel, ex-secretário da Secretário Especial de Desburocratização, Gestão e Governo Digital do Ministério da Economia, o Brasil só iniciou um plano de digitalização em 2016, enquanto a Dinamarca começou a colocá-lo em prática em 2001, por exemplo.

Mas como funcionaria essa ideia na prática? Entenda a seguir.

O que é governo 4.0?

No mundo inteiro, as atividades econômicas estão em fase de profunda transformação digital causada por avanços tecnológicos. É um momento que foi denominado de Revolução Tecnológica 4.0.

Ferramentas como Big Data Analytics e inteligência artificial têm provocado uma onda de inovação sem precedentes. Indústria 4.0 e Direito 4.0 são exemplos de termos utilizados para definir essa etapa revolucionária provocada pelo poder da informação.

O governo 4.0 é, portanto, uma forma de marcar o avanço da tecnologia em favor da melhoria do setor público em vários aspectos para atender com mais qualidade às necessidades da população.

Tecnologias do governo 4.0

Infográfico: Tecnologias do governo 4.0

A digitalização impulsiona boa parte das transformações do governo 4.0, com a transição de documentos em papel para o ambiente virtual, o que por si só já agiliza radicalmente todos os processos. 

Além disso, o acesso facilitado aos dados proporcionados pelas informações digitalizadas habilita uma série de usos inteligentes, em especial para aplicações que envolvam Big Data, alavancada pela computação em nuvem. 

A inteligência artificial (IA), por exemplo, pode auxiliar na detecção de fraudes e sonegação ao ser usada para identificar comportamentos que fujam do padrão por meio do cruzamento de dados.  A IA pode se ramificar para qualquer esfera do governo e se tornar aliada em temas de segurança pública, proteção ambiental e autenticação do servidor público para controle de ponto por reconhecimento facial.

Uma das tecnologias que passam por um momento de “hype” é o blockchain. Normalmente associado às criptomoedas, ele tem a característica de gerar um banco de dados cujas informações são virtualmente impossíveis de serem alteradas.

Na prática, o blockchain se torna uma solução poderosa para registros que exigem segurança e proteção contra adulteração e pode ser usado em áreas como a saúde, com prontuários eletrônicos e em aplicações de identidade digital.

Quais são as vantagens do governo 4.0 para o setor público?

Infográfico: Quais são as vantagens do governo 4.0 para o setor público?

A implementação de propostas de governo 4.0 traz uma série de vantagens para a gestão pública por meio da aplicação de soluções tecnológicas. 

A principal delas é o corte de custos, que permite tornar a máquina pública mais enxuta, uma vez que a automação deve eliminar o trabalho redundante. A verba pode ser direcionada, então, para áreas mais fundamentais, como saúde, educação e segurança.

A tecnologia oferece condições para intensificar o combate a fraudes, ao automatizar o trabalho de detecção de irregularidades com cruzamento de dados de diversas fontes. Um exemplo vem da prefeitura do Recife (PE), que, com uma varredura de segundos, descobriu inúmeras inconsistências e benefícios indevidos. Ao fim de um ano, foram economizados R$ 10 milhões.

A tecnologia não ajuda apenas a gastar menos, mas também a arrecadar mais. Isso é feito por meio de uma gestão mais inteligente das finanças que possibilita reduzir a inadimplência.

Há, ainda por cima, vantagens na gestão de espaço de estabelecimentos públicos, que não dependem mais de vastos armários com caixas cheias de papel. Documentos digitais ficam armazenados na nuvem, liberando espaço físico para quaisquer atividades mais importantes.

Quais são os benefícios do governo 4.0 para a população?

Infográfico: Quais são os benefícios do governo 4.0 para a população?

No fim das contas, a população também tem muito a ganhar com o avanço da tecnologia proposto com o governo 4.0. A partir desse processo de digitalização, os serviços ficam muito mais ágeis e menos burocráticos.

Quantos serviços que dependem de uma ida a uma agência física não poderiam ser resolvidos com um app no celular? Em São Paulo, por exemplo, o aplicativo do Poupatempo ajuda a minimizar filas nos estabelecimentos e facilita a vida, até mesmo, de quem não pode ter seu problema solucionado online por qualquer motivo.

O resultado é o aumento considerável na qualidade dos serviços, até para quem não tem acesso à tecnologia. Da mesma forma, o digital tende a ser mais transparente do que o analógico. O acesso à informação é facilitado, e o cidadão tem maior conveniência para resolver o que precisa e pode, em muitos casos, acompanhar em tempo real o andamento de sua demanda, sem depender da ligação de um atendente.

A ideia de transparência também pode ser um fortalecedor da democracia como um todo, já que dados da administração pública se tornam mais acessíveis. Com isso, o cidadão pode se engajar mais na vida pública.

Quais desafios os governos enfrentam?

A proposta de governo 4.0 pode trazer uma série de benefícios para a gestão pública e para a população, mas ela não vem sem sua parcela de desafios.

Um dos maiores é o risco de exclusão. Por mais que a revolução do smartphone tenha ampliado o acesso à tecnologia, não são todas as pessoas que têm acesso à internet e muitas das que têm podem ter dificuldade em usá-la adequadamente.

Além disso, existem questões importantes na experiência de usuário que precisam ser superadas na hora de lidar com serviços digitais governamentais, e o Brasil é um mau exemplo.

Em matéria publicada em 2019, a revista Exame aponta que a União prestava quase 3 mil serviços ao público, e apenas metade era digitalizada. Para piorar, esses serviços são, em grande parte, incapazes de conversar entre si.

Com uma experiência ruim de uso, o cidadão precisa usar incontáveis apps e sites para cada ação e muitas vezes preencher diferentes cadastros, em vez de haver apenas um espaço para centralizar todas as questões.

Por fim, há outros desafios técnicos. A digitalização de documentos pode ser uma grande vantagem para a gestão pública, mas transformar décadas de papel em informação digital é um processo lento e trabalhoso, embora o benefício também seja significativo.

O exemplo da Estônia

A discussão sobre governo 4.0 pode parecer distante, mas a Estônia é a demonstração real de como a teoria pode virar prática. A pequena nação europeia, de 1,3 milhão de habitantes, passou a se orgulhar do título de “país mais digital do mundo”, fruto de uma estratégia de longo prazo após o fim da União Soviética.

Desde a independência, tornou-se política de estado dinamizar a gestão pública por meio da tecnologia, e o resultado é que hoje basicamente qualquer tarefa burocrática pode ser endereçada online.

A ideia de se deslocar para resolver alguma pendência foi virtualmente eliminada da vida da população. Apenas três serviços dependem da presença física do cidadão: transferência de imóvel, casamento ou divórcio.

Até mesmo as eleições no país são conduzidas parcialmente pela internet. Em 2019, durante a escolha dos representantes para o parlamento, mais de 247 mil eleitores votaram online, o que representa uma fatia de 43,8% de todos os participantes.

Segundo dados do governo estoniano, 98% da população conta com uma espécie de RG eletrônico, que tem um chip que dá acesso a mais de 500 serviços governamentais. E qual é o resultado desse investimento? O governo estoniano afirma que, entre 2006 e 2016, foi possível economizar o equivalente a 2% do PIB graças à digitalização dos serviços.

Conclusão

Se tecnologias como Inteligência Artificial, Big Data e blockchain já fazem barulho em tantos mercados, não há motivos para não as incorporar como parte da administração pública.

Como demonstrado acima, o uso inteligente de tecnologias tem o poder de transformar a vida da sociedade ao azeitar boa parte das interações do cidadão com o Estado, além de estimular a participação e a vida pública com a redução da burocracia.

Entenda como as soluções da Neoway podem viabilizar o governo 4.0 e resolver gargalos da administração pública com automatização e inteligência. 

Os ganhos se estendem por todos os lados, com a capacidade de eliminar vastos volumes de papel acumulados por décadas para, no lugar, armazenar os documentos digitalmente na nuvem, além de reduzir custos drasticamente e gerar eficiência.

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